No finalzinho de Dezembro, estivemos em Olhão, no Algarve, e fomos fazer o Caminho das Lendas, que é um percurso feito a pé, e que atravessa a zona histórica de Olhão, passando por 5 largos onde se encontram estátuas ou instalações artísticas que contam lendas locais, num circuito muito bem sinalizado e divertido.
Em meia hora se consegue percorrer as ruas estreitas da parte velha de Olhão e admirar a descrição de cada lenda e suas ilustrações.
Você pode começar o percurso pela última lenda, no Largo João da Carma ou pela primeira, no Largo da Fábrica Velha, e entre elas passará pela Praça Patrão Joaquim Lopes, pelo Largo do Gaibéu e pelo Largo do Carolas.
1 – Lenda de Marim - Largo Fábrica Velha: Na zona de Marim, havia um bonito e luxuoso palácio, onde vivia uma jovem de nome Alina, por quem um trovador chamado Abdalá se tinha apaixonado. Abdalá todas as noites ia cantar lindas trovas junto da sua amada.O Pai de Alina, farto da situação, chamou-o e promete-lhe a mão da filha, caso conseguisse trazer para junto do palácio, numa só noite, a fonte do rio, localizada a treze léguas de distância.
O rapaz parte com ar pensativo. O pai fica mais descansado pois acha que finalmente conseguiu afastar os dois.
Na noite seguinte o rapaz não aparecia, o que entristeceu Alina. Era já de madrugada, quando se ouve o som de um alaúde. Era o rapaz! E junto dele uma enorme fonte. Enraivecido, o pai, atira a filha pela janela, esta vem cair junto do seu amor, e juntos partem pelo ribeiro abaixo...
Junto à Lenda de Marim, você pode admirar também as pinturas em homenagem às fábricas de sardinha de Olhão.
2 – Lenda da Floripes - Praça Patrão Joaquim Lopes: Lá para os lados do Bairro do Levante, no lugar do Sobrado, havia um moinho, junto ao qual, existia uma antiga casa onde vivia um homem de meia-idade, de seu nome Zé. Quase sempre embriagado, principalmente na companhia de amigos, contava várias vezes, que durante a noite, lhe aparecia uma moura muito formosa em sua casa e que ambos trocaram carícias até de madrugada.
Os seus amigos já não acreditavam. Um dia Zé, fez uma aposta com o mais novo do grupo - Julião - que ia casar em breve com uma moça chamada Aninhas. Zé oferecia uma fazenda que possuía no sítio da Relva, como prenda de noivado caso a moura aparecesse ao rapaz. Se não aparecesse, nada lhe daria. Julião aceitou.
À meia-noite lá estava ele junto ao moinho. De repente, quando já se preparava para se pôr a caminho, vê uma linda mulher. Era a moura encantada! Julião e a rapariga sentaram-se junto a uma árvore, e esta conta-lhe que o feitiço só poderá ser quebrado quando alguém a levasse para junto do mar, e lhe espetasse uma faca no braço do lado do coração. Só aí o feitiço seria levantado. Julião nada podia fazer, pois estava comprometido com Aninhas. De regresso a casa, vê a noiva a chorar compulsivamente, e a seu lado o Compadre Zé. Quando Julião se vira para falar com o seu amigo Zé, este tinha desaparecido. Diz o povo, que a Floripes partiu para o Norte de África, na companhia do compadre Zé, o único homem que a amava na realidade...
3 – Lenda Mouro Encantado - Largo de Gaibéu: Um pescador chamado Manuel Caleça, ainda jovem, estava na brincadeira com mais uns amigos na rua, quando se aproximou um rapaz que quis brincar com o grupo. Todos concordaram. Contudo, este tinha pouco jeito para a bricadeira; vendo isso, Manuel, faz-lhe um reparo.
O jovem propóe que Manuel o acompanhe para irem bricar para outro lado. Chegados ao local, o misterioso rapaz abre um alçapão. Lá em baixo, Manuel vÊ surgir um enorme palácio repleto de riquezas que o levam ao desespero.
O rapaz consolou-o, dizendo-lhe que o levaria para junto dos país, e que o acompanharia durante a sua vida, mas só ele o poderia ver, pois sofria de um encantamento. E assim foi. Até ao dia em que sua mãe o leva à missa para comungar e confessar.
Desde essa altura, Manuel, nunca mais sentiu a presença do amigo de que tanto gostava...
4 – Lenda Menino dos Olhos Grandes, Largo do Carolas: Em noites escuras, diz-se que lá para os lados da Barreta, aparecia aos pescadores um menino muito robusto, vestido só de camisa com grandes olhos pretos.
Como chorava muito e nada dizia, os pescadores, com pena da criança, pegavam-na ao colo.
Mas o peso desta ia aumentando, à medida que andavam, acabando por ser deixada a chorar no chão.
Ao longo dos anos apareceu um pouco por toda a Barreta. Um dia, porem, o menino deixou de aparecer.
Diz o povo, que a Moura Floripes quando embarcou para as terras do Norte de África levou-o consigo...
5 – Lenda do Arraúl - Largo João da Carma: Arraúl era um belo, filho do guarda-mor das Colunas de Hércules, único sobrevivente da Atlântida.
Certo dia, Arraúl foi apanhado por uma tormenta que o arrastou para o oceano profundo onde uma baleia o engole. Apesar do infortúnio, o jovem sobrevive, pois a baleia deposita-o em terra firme no sítio das prainhas - local onde se diz que começou Olhão.
Arraúl, imediatamente se apaixona pelo lugar e tenta protegê-la construindo uma enorme barreira de areia, com terras provenientes dos serros de São Miguel e da Cabeça, dando assim origem à formação das Ilhas Barreira da Ria Formosa.
Bora lá conhecer com a gente as lendas encantadas da cidade de Olhão? Assista o vídeo.